Falta vaga para estacionar em Brasília?

Coordenadora do GT sobre Mobilidade Urbana do Nossa Brasília fala no TEDx* UnB e propõe subverter a lógica da supremacia dos carros e focar nas pessoas

Dez minutos: eis o tempo justo para a ativista Renata Florentino dialogar com uma centena de pessoas e difundir ideias que importam sobre mobilidade sustentável, desafiando o paradigma vigente na Capital do país. Parece pouco, bem como, segundo Florentino, parecem poucos os lugares para se estacionar na região que concentra quase 48% dos empregos do DF**: o Plano Piloto. Neste sábado, 21 de março, no Memorial Darcy Ribeiro, fomos desafiados a olhar com estranhamento o padrão de ocupação do espaço urbano  e também a refletir  sobre os rumos da cidade. Atentos por apenas um sexto de hora, os ouvidos não perderam o recado: “Sobram vagas. Falta é vida nos estacionamentos (…) No espaço de uma vaga para carros cabem dez bicicletas, uma lanchonete, uma banca de jornal…”.

renata tedx

Outros dois mitos foram desvelados: tombamento de Brasília como barreira à  modernização da cidade; e a ampliação das vias como solução para o trânsito. Sobre o primeiro, a palestrante lembrou-nos que basta olhar para muitas cidades referência em transporte coletivo ao redor mundo, várias muito mais antigas e preservadas que a Capital Federal, e que acharam soluções atuais, eficientes e inteligentes para o deslocamento urbano.

Quanto à ampliação das vias, lembrou: “… a pavimentação feita com as melhores intenções que gera as piores consequências. O efeito efêmero da fluidez logo se perde com a demanda infinita por espaço que o carro tem”. Resultado da ampliação das vias asfaltadas para carros: trânsito, estresse e tempo perdido. A especialista mostrou dados que afirmam que, atualmente, perde-se 13 dias por ano no trânsito no DF e um mês ou mais em cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro. Além disso, o governo e população juntos gastam 16 vezes mais com o transporte individual que com o coletivo. Em contraponto ao dado, a ativista afirma:  “O futuro das cidades é servir para as pessoas, e não como áreas mortas para carros estacionados. (…) Brasília foi feita para os carros… Mas não precisa mais”. E nós ficamos com a pergunta: diante de todas as possibilidades, estamos investindo no futuro que queremos para Brasília?

Convite a participar!
O tema da mobilidade urbana e do paradigma do transporte no DF e no Brasil têm espaço cativo de diálogo no GT Mobilidade Urbana. Fiquem atentos aos convites para os encontros públicos na Página do Movimento Nossa Brasília.

*TEDx UnB: possibilidades
O TED é uma fundação estadunidense sem fins lucrativos dedicada ao lema “ideias que merecem ser compartilhadas”. Promove conferências ao vivo em diversos lugares do mundo e, em 2009, criou o TEDx, um programa de eventos locais, organizados de forma independente, que reúne pessoas para dividir uma experiência ao estilo TED.  A versão candanga, realizada em março de 2015, foi a primeira encabeçada por estudantes da Universidade de Brasília (UnB) e teve como mote “Brasília: um lugar de possibilidades”. Outras virão, pois já na estreia o evento ganhou formato de Atividade de Extensão e apoio formal da Direção Universitária.

**O Plano Piloto concentra 47,7% dos empregos e apenas 8% dos moradores do DF. Fonte: CODEPLAN

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3 respostas para Falta vaga para estacionar em Brasília?

  1. Espero ver, essa cidadã ativista, vir de bicicleta da cidade Ocidental ou Valparaízo, ou Luziania, para trabalhar no Plano Piloto. Ou mesmo de bairros próximos, principalmente em dias de chuva. Uma das soluções, senhora ativista, sem ferir o tombamento de Brasília, construir estacionamentos subterrâneos sob a Esplanada dos Ministérios, cujo acesso seria administrado por funcionários públicos, desses milhares lotados em repartições e que nada fazem, e nem tem função, apenas são apadrinhados de campanha. Para não onerar excessivamente o erário, se cobrariam taxas acessíveis, sem fins lucrativos, apenas para uma certa manutenção desses estacionamentos. Sabe por quê. A culpa do excesso de carros nas vias de Brasília e do país, é dos governos, que, incentivam a compra desses veículos, até por quem não tem condições financeiras, e não promove a construção de estacionamentos. Surgindo de ai, a industria das multas, que infernizam a vida do contribuinte mais sacrificado da historia mundial, pela obrigação de pagar os mais altos impostos do mundo. Essa conversa de bicicleta, aqui no DF, só dá para se movimentar em pequenas distancias. Todos sabemos que o DF foi planejado em grandes áreas e setorizado. Se locomover, até dentro do Plano Piloto, nessa insuficiência de transporte público, é uma panaceia, que só conhece quem a enfrenta todos os dias. É fácil, opinar, sentado comodamente em ambiente refrigerado, vendo o dia passar, confortavelmente e sem conhecer a realidade.

  2. Jonas Bertucci disse:

    Hernán Hernández, a Renata conhece muito bem a realidade de Brasília e não é das maiores fãs de um ar condicionado! =) Sugiro que você leia o texto e perceberá que suas acusações contra ela são equivocadas e injustas. Em nenhum momento ela sugeriu que a bicicleta deve ser o único meio de transporte para se deslocar nem que a população deve vir de bicicleta de Valparaíso ou Luziânia para o Plano Piloto. Isso seria estupidez. Pelo contrário, ela explicou claramente que transporte não se resolve apenas com meio de transporte. Explicou que nem bicicleta nem metrô sozinhos vão resolver o problema. Explicou que é preciso política habitacional, por exemplo, além do investimento em alternativas sustentáveis de deslocamento. Que é preciso desconcentrar o emprego. Procure conhecer e refletir sobre as interessantes estatísticas que ela apresentou. Em relação às multas, o ideal seria que você respeitasse a lei. Assim, além de não ter que desembolsar altos valores, evitaria colocar a vida dos outros em risco. O desrespeito às leis de trânsito é um dos mais graves tipos de corrupção no nosso país. Resulta em mais de 50 mil mortes por ano. Pense, mude. É possível. Abraços!

  3. Pingback: Experiência do TEDx na Universidade de Brasília – Parte 2 | Coerência Particular

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